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quarta-feira, 21 de abril de 2021

POEMA: Quem foi que fez?

 

Quem foi que fez o sol tão vivificador?

E sua luz resplandecente cheia de fulgor?

Os trilhões de estrelas que cintilam nos céus?

E as nuvens vaporosas como densos véus?

A mecânica celeste, o arcano profundo

da eterna ciência que equilibra os mundos?

Os microorganismos em desenvolvimento

e os orbes gigantescos em deferecimento?

O átomo e a nebulosa, a ameba e o Serafim,

e as origens das coisas que nunca terão fim?

A virtude impoluta que não se modifica,

e a possante energia que a tudo vivifica?

Quem foi que fez o vento, a chuva, o raio e o

trovão?

A primavera, o outono e também o verão?

O perfume das flores, o som, a luz, o ar?

Os campos, as florestas, a terra, o céu e o mar?

Quem foi que fez o infravermelho e o ultravioleta?

E fez da lagarta surgir uma bela borboleta?

O esperto gafanhoto e o formoso rouxinol?

Surgindo a alvorada, os clarões da luz do sol?

Quem foi que fez as feras bravas, os ternos

passarinhos,

a asa dos insetos e a beleza de um ninho?

Deu agilidade incrível à pulga saltitante,

e fez o passo lerdo e tardo do elefante?

Quem foi que fez o colibri com linda sutileza,

sugando o mel das flores com tal delicadeza?

O tatu escavando a cova em que se abriga,

e a faina inesgotável da minúscula formiga?

O inquieto macaco, o fogoso corcel,

e a abelha trabalhando na construção do mel?

Quem foi que fez a ostra, o golfinho, o tubarão, a baleia?

E a engenhosa aranha tecendo a sua teia?

E o instinto de conservação,

como bússola infalível de orientação,

guiando com acertos os irracionais,

sem nunca transgredir as regras naturais?

As maravilhas do reino mineral,

o leito onde repousa o reino vegetal,

os prodígios da animalidade,

e um elo mais acima, a nossa humanidade?

E tantos outros reinos que nós desconhecemos,

sistema de mundos que nem nos apercebemos?

Os gênios tutelares arqui-angelicais,

imersos nos segredos dos planos siderais?

Que maravilha é esta que eu não posso descrever,

com todo dramatismo que eu pudesse ter?

Artista inimitável, sublime e ilimitável.

Me ponho de joelhos e contemplo abismado.

E pergunto a mim mesma com estupefação.

Quem criou isso com tanta perfeição até o perdão?

Quem dá sem pedir nada, e paga sem dever nada?

E a tudo movimenta sem nunca se mover?

Formando e transformando.

Criando e dirigindo.

Governando e agindo.

Quem tem tamanho poder?

Pergunto a outras vozes.

Quem que podeis dizer?

Eu vos peço queridos irmãos, amigos meus.

E as vozes me respondem:

Foi Deus

Foi Deus

Foi Deus

                                                                                     
João de Deus Limeira

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