Um operário, de tanto apertar parafusos em uma linha de montagem, passa a fazer seu trabalho de maneira automática. Muitos leitores lêem os mais diversos textos da mesma forma como trabalha esse operário, sem usar recursos que a língua nos dispõe. Lembre-se: a leitura não pode ser feita como funciona uma engenhoca mecânica, mas como se fosse uma música, com ritmo, melodia, expressividade, que ganha vida por meio da voz do cantor (e dos instrumentos, claro). Ler poesia ou prosa em voz alta, por exemplo, entre casais de namorados, para uma roda de amigos, para uma platéia de um teatro ou em uma sala de aula requer habilidade para causar o efeito pretendido.
Mas, ao contrário do que se faz com música, os princípios musicais dos textos não são trabalhados. Uma pena, porque, com isso, deixam-se de lado a cadência, a fluência, a acentuação, a sonoridade e o encadeamento das idéias. Esses elementos devem ser considerados até quando lemos para nós mesmos: embora ao redor haja um silêncio absoluto, o cérebro pode estar gritando e fazendo mudanças de nuance, volume, emoções. A habilidade de fazer variações sonoras deve, portanto, ser cultivada.
Para usar o potencial expressivo da nossa voz e valorizar emoções e reflexões contidas nas palavras de um texto, alguns princípios do som devem ser considerados:
ALTURA, INTENSIDADE, TIMBRE, SILÊNCIO, DURAÇÃO.
Quando se exploram todas essas qualidades vocais na leitura silenciosa ou em voz alta, chega-se a um enriquecimento no sentido do texto e um aumento potencial da compreensão desses sentidos por parte dos ouvintes e de si próprio.Então deixe de ler como se apertasse parafusos e passe a vivenciar e dar vida àquilo que está diante de seus olhos.
Veja que descoberta legal! Boa leitura para todos nós.
HISTÓRIAS DE PRINCESAS
Rosângela Curvo Leite
Vívian Cristina Rio
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